sábado, 18 de junho de 2011

I've had the time of my life that I've never felt this way before..



and I swear this is true!!

(a foto tá horrorosa, mas vale a emoção do momento- execução do hino nacional brasileiro no meu último jogo em casa)

E lá se foram 2 anos vivendo na terrinha do Tio Sam! E a pergunta que eu respondo 287456838 vezes por dia: E aí? Tá gostando? Tá valendo a pena?
A resposta é um pouquinho mais complexa do que aquela que eu respondo todas as vezes.. rs.. Toda decisão que tomamos, por menor ou maior que seja acarreta ganhos e perdas. E essa não foi diferente. Eu gosto sim de viver pelo sonho que eu eu carreguei por tanto tempo na minha vida. Tem mais de 10 anos que o vôlei entrou na minha vida e me fez uma louca apaixonada. (Nossa! To ficando velha!!) Pra falar a verdade não existe nada mais gratificante para mim do que bater no peito e dizer, eu vivo pela minha paixão, tenho a minha bolsa, minha moradia, minha alimentação e até meus livros por causa do vôlei! Claro que nem tudo são flores, não só os treinamento rigorosos e tantas regrinhas a seguir, mas a saudade de casa, dos amigos, das pessoas que eu amo de verdade machuca, machuca, machuca... Ai a saudade! Essa nunca vai me abandonar! Hj, estou passando, pela segunda vez, férias em casa, cheia de dengo, preguicinha, carinho, mimos e mais.. Mas pra minha surpresa, adivinha o que aflinge meu coraçãozinho? A tal saudade.. rs.. Saudade da Brittany!!!!!!! Saudade do meu Texas querido, cheio de personalidade! Saudade dos Flowers, da minha vidinha ocupaaaaaada naquele college! Saudade de cada momento único, cada experiencia louca..
Em maio de 2011 eu fechei meu ciclo em Midland. Que loucura! Que mistura de sentimentos! Eu posso explicar, contar, descrever, representar, qualquer coisa! Ngm nunca vai entender tudo que se passou nesses dois anos em Midland! O primeiro ano dolorooooso! Nossa.. Aqueles primeiros 4 meses doeram tanto, tanto.. A novidade passou na primeira semana, rapidinho a realidade bateu a minha porta e a ficha caiu que eu estava ali, sozinha, sem mamãe pra me fazer sentir melhor depois de um técnico sem coração me fazer sentir um lixo, não tinha Jô pra arrumar meu quarto quando ele entrava em estado de calamidade, não tinha papai pra me dar aquele colinho sempre grande e quentinho, ou irmã pra botar defeito em tudo que eu faço. Rs.. Foi difícil, não vou mentir! Nem o vôlei parecia me completar mais. Por um momento tudo pareceu vazio, sem sentido, um erro. Mas quem me conhece bem, sabe que eu não sou de desitir fácil das coisas assim. Eu tinha tomado essa grande decisão na minha vida e agora era hora de arcar com ela. Levantei a cabeça e passei me permiti enxergar tudo com novos olhos, me permiti gostar daquele lugar, a gostar das pessoas, do sotaque (charmosíssimo) texano, a gostar de morar sozinha, de decidir as pequenas coisinhas do dia-a-dia sozinha. Sair ou não sair hoje? O que vestir? Estudar, limpar o quarto ou assistir um filminho debaixo das cobertas? rs.. Pra ser sincera, é até divertido! Tem hora que eu me enrolo, pq o filminho sempre parece mais legal que arrumar o quarto ou fazer trabalho.. Mas no final tudo dá certo!! rs.. E o primeiro ano passou, empurrado, sofriiiido, devagaaaaaaar que me pareceu mais uma década. E aí veio o Brasil cheio de festinhas, beijinhos, carinhos, caipirinhas, veio até com surpresa no coração. huhu. Queria mesmo era ficar aki, achava que já tinha aprendido o suficiente por lá. hahah.. Engano meu. Voltei pra minha última temporada, como uma Lady Chap, choraaaaaaaando, mas voltei. Lembro da cara de dó do povo no avião me olhando. hahaha. Mas no fundo no fundo eu estava na verdade feliz, feliz por quem eu era, pelo o que eu já tinha passado, enfrentado e tudo mais. Eu estava numa vibração boa, com boas expectativas. Bem comigo, segura, já sabia o que nããão fazer pra entrar na deprê de novo! haha.. E se entrasse tbm, eu já sabia a receita pra sair. Se tem um coisa que eu aprendi é que tem sempre muita coisa pra DEIXAR a gente triste, mas FICAR triste é uma opção. Tem gente que cultiva tristeza, tá triste e fica lá isolado escutando aquelas músicas deprê, lembrando a época que era feliz e não sabia. Bóta um Alejandro e canta gata, canta que os males espanta. Se cantar não for seu forte, me copia que vc brilha, bóta a música no talo, dubla e dança, mas dança direito, que dá o mesmo efeito. ;) Se não colar, vai pra frente do espelho te chama de gatinha e fica rindo te dando mole. hahah.. (Coisas que eu e Brittany inventamos, testamos e aprovamos).
E em agosto de 2010 começava o que eu digo sem medo, o melhor ano da minha vida! Nossa! Não sei por onde eu começo.. A temporada começou a mil!! 5 treinos por dia! haha.. Loucura loucura loucura. O batente começava as 7h da manhã e acabava só as 9h da noite. E eu gostaaaava. Fominha do jeito que eu sou? hahaha.. Eu reclamava, chingava, fazia cara feia, fazia cara de dó, mas no fundo eu curtia o dia inteirinho de vôlei. Como diz aquele ditado, quanto mais suor no treinamento, menos sangue na batalha (ou alguma coisa parecida, n lembro o ditado direito!). E bom mesmo é ganhar né?! Então bóra pro treino. Bermudinha de 5 kg, pra aquecer exercícios de futebol americano (pensa no tamanho daqueles jogadores de futebol americano, agora imagina os exercícios que eu tô falando) E por aí vai. Bem puxado, não vou negar. Melhor que a hora de ir pro treino, era só a hora que o treino terminava. rs... Em setembro, com as aulas, o rítmo teve que diminuir, mas a louca aqui ainda acordava de manhãzinha antes da aula pra uma corridinha matinal, só pra manter o preparo! hahaha.. Só mesmo o vôlei pra me fazer acordar mais cedo e pra correr ainda! Duas coisas que eu odeio E MUITO! hahaha.. Isso que eu chamo de foco no objetivo!! Mas valeu a pena DEMAIS! Vc acha que é facil jogar 38 jogos oficiais em três meses, com 33 vitórias? Rá. Não é pra qualquer um não colega. Cada jogo desse uma emoção diferente! É isso que me fascina no vôlei. É o friozinha na barriga antes de cada um desses jogos, a ansiedade, o jogo coletivo, a vibração, a tensão, o "chuuuupa" gostoso de gritar depois de cada toco bem dado. Ahh.. Esse ano eu vivi o melhor do voleibol, curti cada minutinho, até mesmo os difíceis, os da derrota.. Cada ponto perdido era um fogo a mais na minha bunda pra acabar com quem se atreveu a pisar do outro lado da quadra! hahah.. Imagina um jogo perdido? Era orgulho ferido, e leonina com orgulho ferido, minha filha, faz um estrago.. rsrs.. Eu vesti a camisa do meu college! Eu jogava pra proteger o nome de Midland College, por orgulho, por amor, por agradecimento por tudo que faziam e fizeram por mim naquele lugar. Foram 5 derrotas, 5 jogos que eu lembro claramente na minha memória. Por algum motivo, o que machuca, dói, tem a mania de ficar guardado na memória. Deve ser mecanismo de defesa do nosso cérebro pra fazer o possível e impossível pra não passar por tal experiência de novo. Mas aquilo que emociona de verdade tbm fica. Como eu poderia esquecer da vitória que nos levou para os Nacionais? Quem me conhece sabe como essa vitória foi importante para mim, como foi marcante. Foi, sem sombra de dúvida, uma das experiências mais incríveis da minha vida! Eu tenho a impressão que esse post tá ficando mto grande, por isso não vou começar a contar de cada jogo dos nacionais aki! hahah.. Porque eu poderia contar detalhes de cada um. Perdemos na estréia, o que nos tirou a possibilidade do título de cara. Foi difícil encarar essa derrota, difícil pq era possível. Entramos mal, primeiro jogo e já enfrentávamos o time que segurou o segundo lugar no rank nacional durante mais da metade da temporada. Além disso, era só a segunda vez na história de Midland College que o vôlei conseguia uma vaga no campeonato mais desejado da nossa liga. O nervosismo estáva estampado na cara de cada uma, até da minha coach tadinha.. rs.. Levamos um coro no primeiro set, digno de quem entra com medo em campeonato a nível nacional. Parece clichê, mas uma Lady Chap não desiste de uma luta assim, juntamos forças e encaramos de frente o segundo set. Perdemos o jogo no tie break. O comentário geral foi que Midland College surpreendeu, e aquele tinha sido o jogo mais disputado dos Nacionais. Mais difícil que encarar essa derrota, foi levantar no próximo dia e ir lutar pelo nono lugar. Mas seguimos em frente e mais uma vez fizemos história, naquela manhã conquistamos a primeira vitória nos Nacionais na história do nosso College. Foi uma temporada incrível! Um sonho em forma de realidade. Fechamos o ano com os melhores resultados já conquistados por Midland College Volleyball. E como se já não bastasse tanta satisfação, fui gratificada com dois trófeus que vou guardar para sempre e com muito orgulho: ALL CONFERENCE TEAM pela nossa conferência (explicação rápida, é como se os organizadores da liga escolhessem 7 atletas para formar um time com os melhores talentos) & MOST VALUABLE PLAYER por Midland College, sem mais explicações, ninguém precisa ser expert em inglês pra saber o peso deste prêmio. Recebi com muito carinho e gratidão. Não teria conquistado nada se cada uma no meu time não estivesse tão focada, tão determinada e não fosse tão guerreira. Inclusive minhas coaches que fizeram um trabalho muito respeitável esse ano. Fui muito abençoada. Ouvir o discurso da coach em frente aquele mundo de gente falando sobre mim antes de me entregar o troféu, foi tbm muito emocionante, não tanto quanto aos jogos que resultaram isso, mas foi bacana demais tbm! E hoje eu sei porque eu tive que passar por um ano tão díficil antes de vivenciar este. O mesmo motivo que um dia eu agradeci ao primeiro louco sem coração, mais conhecido como técnico de vôlei, que passou na minha vida. Acabou com a minha raça, mas se não fosse por isso, sabe lá se teria vivido experiências tão maravilhosas no vôlei com eu tenho vivido. Eu sei que eu mudei a minha postura depois daqueles primeiros meses, mudei meu jeito de ver o mundo, valorizei coisinhas que não valorizava, mudei minhas perspectivas, por incrível que pareça, consegui me aproximar ainda mais da minha família, mesmo estando tão mais longe. Eu não sei se teria tido um ano como este antes de aprender tanto meses antes. É por isso que aquela velha e sábia frase faz tanto sentido "Deus escreve certo por linhas tortas". Quando tudo parece errado na sua vida, um beco sem saída, um buraco sem fundo.. Relaxa! É Deus te preparando para coisas maravilhosas! Eu sei que ter paciência é um saco, mas é um saco que a gente tem que carregar. Realaxa gata, que tudo nessa vida passa. O problema é que as coisas boas tbm passam. E meus anos em Midland passaram... O que tem me deixado triste de verdade, mesmo sabendo altos truques para ser feliz. hahah.. Agosto vem como um novo capítulo na minha vida. Quase um novo livro, de tão diferente que vai ser. rs.. Novo time, novo coach, novas teammates, novos amigos, nova casa (êê.. no more dorms in my life!!), nova roommate, novas matérias, novo estado!! Ahh.. Texas.. As vezes eu me pergunto porque que Deus nos permite amar e curtir tanto certas coisas, pessoas e lugares se não podemos tê-los pra sempre.. Duas pessoas mto queridas e que com certeza tive muita dificuldade em despedir me falaram a mesma coisa quando eu estava lá, acabada, destruída de triste dias antes de ir embora: ao invés de ficarmos tristes que temos que dizer adeus, porque não ficamos felizes por termos tido a oportunidade de vivenciar momentos tão especiais? Não ajudou muito não, continuei lá no meu cantinho preferido do quarto, chorando que nem criança.. :( Mas acho que agora aquelas palavras sábias fazem mais sentido, e eu lembro de tudo com um sorriso no rosto.. Afinal, o que a gente não pode mudar, nos resta aceitar. Quem me dera se fosse possível voltar pra Midland, pras minhas pessoas queridas, pro meu time FODAA.. Infelizmente não tem jeito.
E não posso mentir que tô me borrando de medo do 'novo'! Pra falar a verdade, as vezes me bate até um desânimo disso tudo. Ter um ano melhor que esse que passou me parece tão impossível que me bate a certeza que o que tá vindo vai ser pior com certeza, ter uma roommate com mais afinidade que eu e a Britt temos parece fora de cogitação. Inexplicável como eu e a Brittany vivenciamos uma relação de companheirismo incrível. Muito mais que minha roommate, ela com certeza foi o maior presente que ganhei em Midland. Amizade verdadeira (o que inclui sim algumas briguinhas.. rs..), amiga de desabafo, de baladas, de vivenciar o novo, o velho, de dieta, de engorda, de academia, amiga de tudo! Não existiam momentos chatos quando a gente estava junto. hahah.. Nunca! Ah.. Olha a tal da saudade marcando presença na minha vida!

E só a título de curiosidade, minha aventura abroad continua em Louisiana, terra do Mardi Gras, do furacão katrina.. lol.. Mais dois anos, agora em Louisiana Tech University, mais duas temporadas, agora como uma Lady Techster e jogando D-1 (divisão 1), sonho de uma galerinha boa.. Bóra ralar que agora o bicho pega! É muita gente querendo minha vaguinha.. rsrs..

Nossa, acho que escrevi demais. Ngm vai ter saco pra ler isso tudo, mas eu adoro esquecer desse blog e meses depois (acho que na vdd foi um ano sem passar por aki!!) vim aki ler e rir de tudo que eu escrevi. São tantas lembranças que o melhor jeito de imortaliza-las é escrevendo né?! Aí não tem Alzheimer que apague! rs.. credo. Eu devia escrever com mais frequencia. Nem que seja pra contar que fui no cinema com a Jô hj, aqueles programinhas que te fazem ter certeza que mesmo morando tão longe, seus amigos de vdd vão estar sempre aki, e que quando se encontrarem, vai ser como se nunca estivéssem estado distantes. Ta aí uma das sensações mais gostosas que o Brasil me traz: o de perceber que tenho amigos de verdade, no matter what! E quem é, sabe que é. :)